sábado, 15 de janeiro de 2011

Atrasos


Eu tenho adiado o meu dia em alguns minutos. Normalmente, o despertador faz esse processo de cinco em cinco, mas eu sou exigente e sempre deixo ele passar um pouco mais que isso. Quando percebo, já se foram quase 60 e eu ainda estou deitada, imersa na minha angústia e querendo mergulhar ainda mais naquele edredon. Vez ou outra, meto a cara embaixo do cobertor que é pra não ver a claridade lá fora. Não quero saber do tempo, da chuva ou do sol. As condições climáticas não têm alterado o meu humor habitalmente nublado. Daí, de repente, fica quente demais e eu ponho o rosto pra fora pra ver se um pouco de ar faz melhorar, mas eu ainda sinto-me sufocada. (Então), (e não) há muito o que fazer. Eu rezo pra que o dia seja bom, para que eu veja cores e tenha brilho. 
Quase nunca adianta. 
Volto pra casa com a mesma vontade de me afundar na cama e ver se, dormindo, paro de sonhar.
Eu tenho adiado a minha vida em alguns anos. E, normalmente, não há relógio que conserte esses desvios do tempo.

3 comentários:

  1. Se for literatura, continue assim. Se for realidade, descontinue. E se for, como sempre é, mescla dos dois, aí não sei; mas sei, por experiência própria (sou mais velho que você, né?), que é perigoso alimentar angústia, seja no que for.

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  2. tenho uma boa notícia. quer ouvir? não. não é sensacionalista. muito menos auto-ajuda ou positivismo barato. para os experimentalistas que tudo fazem para refutá-la, digo: é fundamentada em evidências empíricas. para os chatos dos racionalistas que desconfiam dos próprios sentidos, digo: é traduzida pela matemática. então, não me venha com chorumelas porque fatos reais é pleonasmo. todo fato é realidade e o tempo... o tempo é relativo. amanhã vai ser outro dia.

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