sábado, 15 de janeiro de 2011

Atrasos


Eu tenho adiado o meu dia em alguns minutos. Normalmente, o despertador faz esse processo de cinco em cinco, mas eu sou exigente e sempre deixo ele passar um pouco mais que isso. Quando percebo, já se foram quase 60 e eu ainda estou deitada, imersa na minha angústia e querendo mergulhar ainda mais naquele edredon. Vez ou outra, meto a cara embaixo do cobertor que é pra não ver a claridade lá fora. Não quero saber do tempo, da chuva ou do sol. As condições climáticas não têm alterado o meu humor habitalmente nublado. Daí, de repente, fica quente demais e eu ponho o rosto pra fora pra ver se um pouco de ar faz melhorar, mas eu ainda sinto-me sufocada. (Então), (e não) há muito o que fazer. Eu rezo pra que o dia seja bom, para que eu veja cores e tenha brilho. 
Quase nunca adianta. 
Volto pra casa com a mesma vontade de me afundar na cama e ver se, dormindo, paro de sonhar.
Eu tenho adiado a minha vida em alguns anos. E, normalmente, não há relógio que conserte esses desvios do tempo.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Imperfeito


Eu não sei o que pode mais maltratar você. A minha sinceridade te machuca, mas a mentira pode doer ainda mais. Meias palavras não deveriam fazer parte de uma relação entre duas pessoas que dizem querer se completar - uma na outra. Mas é que tudo tem um jeito melhor de ser dito, não é? O problema é que já não sei se, fazendo assim, estamos arrumando ou arruinando as nossas vidas. 
E ainda tem isso do seu silêncio, que me consome. A sua indefinição também me pertuba, mas temo tanto por uma decisão final que já considero essa incompletude o roteiro dos meus dias. Só não sei por quanto tempo.