quarta-feira, 30 de março de 2011

estranho?


Composição : Marisa Monte/Arnaldo Antunes/Carlinhos Brown

Não é fácil
Não pensar em você
Não é fácil
É estranho
Não te contar meus planos
Não te encontrar

Todo dia de manhã
Enquanto tomo meu café amargo
É, ainda boto fé
De um dia te ter ao meu lado

Na verdade eu preciso aprender
Não é fácil, não é fácil

Onde você anda
Onde está você
Toda vez que saio
Me preparo pra talvez te ver

Na verdade eu preciso esquecer
Não é fácil, não é fácil

Todo dia de manhã
Enquanto tomo meu café amargo
É, ainda boto fé
De um dia te ter ao meu lado

O que eu faço
O que posso fazer?
Não é fácil
Não é fácil

Se você quisesse ia ser tão legal
Acho que eu seria mais feliz
Do que qualquer mortal

Na verdade não consigo esquecer
Não é fácil
É estranho

segunda-feira, 28 de março de 2011

Fugam libere


Eu queria mesmo acordar, amor. Você já está indo e nem lembrou da sua escova de dentes no meu armário do banheiro, apenas fez questão daqueles filmes antigos. Você já foi e as suas chaves continuam no meu chaveiro. Talvez eu até tenha te acompanhado, mas prum lado que você não foi ou só esteve de passagem. Queria ter notícias suas, amor. Saber do seu violão, dos seus domingos, dos seus primos. Sabe, faz um tempo que eu não acordo num sobressalto e animada para preparar o nosso café. Eu queria mesmo acordar. 
Já pensou, amor, se um de nós tivesse arrasado o projeto do outro? Que desamor. Veja, querido, a que ponto chegamos. Amando tanto soltamos as mãos, deixamos o outro partir. E ir. 
Sabe de uma coisa, amor, por mais que você demore só alguns meses, garanto que o meu sofrimento não está parcelado. Ele é intenso, dói que é uma beleza. Quem sabe ele não sangre, não mate ou morra? Quanto a isso, vá tranquilo. Meu choro é certo. 
Mas, caso se passem anos e você não retorne, terei que pegar outras parcelas de sofrimento e você sabe como é, mulher se endividando é um problema. Mas, tudo bem. Eu me viro, não se preocupe com isso também. Uma coisa, porém, eu lhe digo, amor: depois de um ano, você não vindo desisto de acordar e de te esquecer.

terça-feira, 15 de março de 2011

Suffering




Acho que eu não posso me queixar. Você bem que avisou que depois do amanhecer estaria longe. Eu guardei isso. 
Mas por que toda aquela conversa, cartas e flores?
É, eu também guardei tudo isso numa lata de biscoito velha, gelada. Na verdade é irônico, eu não poderia ter escolhido lugar melhor para acumular as tralhas que você deixou. 
Uma lata fria e de aço. 
Eu pensei que não teria problema, que o conteúdo aqueceria tudo. Isso claro, se houvesse sentido (ou sentimento, vai saber). 
Como disse, você avisou. A frustração é minha. Assim como a dor e o descaso com a vida. 
Mas tudo bem, eu só preciso aprender a escolher melhor as minhas dores, saber por quem sofrer. Afinal, o sofrimento é inevitável. 
Só espero que também aprenda com tudo isso, que amadureça. E, principalmente, que saiba o que fazer com o sentimento dos outros quando alguém se entregar a você. 
Foi triste ver o seu silêncio quando perguntei o que estava fazendo. 
E agora dói. 

quinta-feira, 10 de março de 2011

Precaução

Ainda bem que eu me mantive na retaguarda, que tive cuidado para ir um pouco mais além sem me perder por inteira. 
Ainda bem que não abri todas as minhas amarguras, angústias e fantasias. Pouco a pouco você descobriu algumas, mas acredite, há ainda muito mais. 
Ainda bem que eu me mantive firme. Não encostei meus pensamentos por inteiro nos seus ombros, embora tenha ficado a um passo disso.
Ainda bem que eu me mantive fria. Vazia e sem esperanças.