sábado, 22 de maio de 2010

Dreams come true




Sou eu quem te acorda, mas não sou quem o coloca pra dormir. 
Não pense que me acostumo com isso ou que talvez isso seja fácil pra mim. Não, não é. 
O que me conforta talvez seja saber que você, melhor do que eu, guarda detalhes da nossa história. 
Parte disso me alegra e dói. Alegra por ver que há algo tão vivo e latente em você quanto em mim. 
Dói porque sei que alguns dos milhares de quilômetros dessa nossa distância fui eu quem não quis rodar. 
Nessa noite, porém, farei diferente do que apenas mentalizá-lo em meus sonhos. Vou, enfim, cumprir a promessa de te ligar de madrugada, mesmo que alguém já o tenha colocado para dormir. Direi que estou com saudades que não aguento mais codificar nossas conversas e que pra mim nada mais importa que não seja reconstruir cada pedaço esquecido e guardado da nossa história. 

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Sobre um forte dilema




Às vezes me bate aquela vontade de ter um problemão. Daqueles que tiram o sono, fazem perder a conta do dia do mês, das horas. Do compromisso. Um problemão daqueles que fazem o cabelo cair, as unhas enfraquecerem e a gente murchar. Porque problema pequeno é chato. Desgasta. Ele não tira o sono de vez, mas fica martelando, pulsando na cabeça. Muda o humor, acaba com o dia pouco a pouco. Mas é assim: de-va-gar. Sem pressa ele vai consumindo sua paciência, seu viço, seu tesão. Vai amontoando tudo numa bolha. Problema é aquela coisa difícil de explicar, como quem derramou o suco na mesa ou como o colar da sua mãe arrebentou dentro do porta-joias. Problema assim que faz pensar, que é quase tortura. Cansa. É por isso que, vez ou outra, bate uma saudade de ter um problemão mesmo, daqueles. Perder a noção do juízo, sair por aí, encostar em um qualquer e desafogar cada um dos ranços num soluço de frases estúpidas. Gritar mesmo, botar pra quebrar. Ter os piores problemas do mundo, enfrentar uma batalha cada dia e ficar aí de bobeira esperando alguma coisa grande estourar. Depois sair catando pedaços, reunindo tudo numa caixa, jogar do alto do morro e ver a sua conquista rolar.