domingo, 9 de novembro de 2014

Na dela

Na penumbra de uma tarde chuvosa de sábado deitada com os cabelos molhados em seu travesseiro, sem que ninguém se a incomodasse ou perturbasse com aquilo. Já era uma sensação libertadora - um pequeno ato de independência. Uma amostra de que era dona de si.

A fumaça não a incomodou, ao contrário. A sauna criada no cômodo extenso até provocava um certo prazer, uma ambientação erótica que muito combinava com aquela sensação de autocurtição que procurava. Uma prova de que era dona de si.

A escolha das músicas talvez até pudessem ter alguma influência. So what? A vida é feita de trocas. Todos somos influenciáveis, um pouco ingênuos e desconfiados na medida que cabe a cada um. Sua autoconsciência de suas escolhas era uma garantia de que era dona de si.

O próprio toque uma comprovação de seu poder ilimitado sobre si mesma. Não importa de onde a inspiração venha, onde ela se fantasia, onde ela aprende ou aprimora suas técnicas. Dona de cada centímetro, sem que ninguém a chame de sua.

É preciso muito sim. É preciso enorme uma compreensão da responsabilidade que é amá-la. Ela reflete um pouco sobre o que lhe é dito, sobre os rumos que as coisas vão tomando. As escolhas que ela faz são prova da expectativa que ela deposita em algo que pode ser a extensão de uma aventura. Um prolongamento. Heaven only knows.

Ela tem uma mente aberta e sempre se permitiu. Às vezes se condenou, às vezes se culpou, sim. Natural. O mundo é hipócrita demais e sua autoconsciência sobre seus desejos e pulsões já a fizeram pensar que deveria parar, mas ela é maior do que isso. Viveu cada segundo de suas vontades como lhe era permitido e isso requer inventividade.

Criar sempre foi algo que ela dominou bem. Ela cria sua própria independência, a seu modo.