quinta-feira, 13 de maio de 2010

Sobre um forte dilema




Às vezes me bate aquela vontade de ter um problemão. Daqueles que tiram o sono, fazem perder a conta do dia do mês, das horas. Do compromisso. Um problemão daqueles que fazem o cabelo cair, as unhas enfraquecerem e a gente murchar. Porque problema pequeno é chato. Desgasta. Ele não tira o sono de vez, mas fica martelando, pulsando na cabeça. Muda o humor, acaba com o dia pouco a pouco. Mas é assim: de-va-gar. Sem pressa ele vai consumindo sua paciência, seu viço, seu tesão. Vai amontoando tudo numa bolha. Problema é aquela coisa difícil de explicar, como quem derramou o suco na mesa ou como o colar da sua mãe arrebentou dentro do porta-joias. Problema assim que faz pensar, que é quase tortura. Cansa. É por isso que, vez ou outra, bate uma saudade de ter um problemão mesmo, daqueles. Perder a noção do juízo, sair por aí, encostar em um qualquer e desafogar cada um dos ranços num soluço de frases estúpidas. Gritar mesmo, botar pra quebrar. Ter os piores problemas do mundo, enfrentar uma batalha cada dia e ficar aí de bobeira esperando alguma coisa grande estourar. Depois sair catando pedaços, reunindo tudo numa caixa, jogar do alto do morro e ver a sua conquista rolar. 

2 comentários:

  1. Bacana o texto. Ele me faz pensar no fato de que valorizamos mais as nossas conquistas em função do trabalho que temos para alcançá-las do que propriamente pelo valor, pela importância que o algo/alguém conquistado tem para as nossas vidas. Estranho, né? Daí o fato de eu também sonhar com ter "problemões". Destes que, quando conseguimos solucionar, a vida toda passa a valer a pena - mesmo que, após a solução, tudo tenha desembocado apenas na velha e boa estaca zero.

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  2. Legal o texto. Problemas? Mais? Não por favor. Entendi sim. Bj

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