terça-feira, 19 de maio de 2009

Sonho afoito


Hoje eu te vi, dormindo e sem boné. Quase não acreditei, ah é, era um sonho. Você ali largado num sofá, tão belo. Aquele seu jeito de moleque largado, tranquilo. Não me contive, num lance me joguei aos seus pés (e pernas) e acordei-o. Assustado, olhou-me, porém, com afeto. E eu, eufórica, atrapalhei aquele momento de olhares e atropelei-o com explicações. Inúmeras, vãs, mas que pra mim faziam todo sentido e seriam motivo de uma longa briga, em que você me cobraria mil coisas. Você me conhece...
Me puxou para cima do seu sofá, não disse absolutamente nada e me abraçou com seus braços e sorrisos. Não consegui me desvencilhar de seu toque, aquele cheiro de quem dormia a tarde inteira, do afagos plenos, dos deslizes que nos divertiam sempre.
Precisei conter meu envolvimento, você já espera por isso, e não me esperou nem me levantar...já estava longe, na sua cidade conturbada, no metrô, nas avenidas. Quando despertei olhei pela janela e vi as montanhas ali, paradas como sempre. Me protegendo, como sempre.

2 comentários:

  1. Os sonhos sempre tiveram significados totalmente opostos pra mim. Numa mesma noite, posso ter sonhos lindos, líricos, poéticos, outros tão fantasiosos quanto, mas com cenas e personagens horríveis, como um filme de terror, e ainda na mesma noite ter sonhos que são quase reproduções de cenas que vivi ou ainda viverei. Só uma coisa sonhos tão distitos têm em comum. Eles sempre acabam. Eu abro os olhos e ainda estão lá todas as monhtanhas que me protegem e aprisionam. Bjs !!!

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  2. Sonhos e frustrações caminham de mãos dadas. Não sei até que ponto eu gosto de me permitir fantasiar com coisas como essas, sendo que a realidade são mesmo essas montanhas. Firmes, duras e que não vão sumir quando eu levar um beliscão e acordar.

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