quinta-feira, 23 de abril de 2009

Ponte aérea


"Mas não, mas não. O sonho é meu e eu sonho que deve ter alamedas verdes a cidade dos meus amores"

Enriquez/ Bardotti /Chico Buarque



Mas é que eu moro aqui e não lá. Nunca pedi licença do trabalho e embarquei de vez. A viagem poderia não compensar, e eu moro aqui e não lá. Arriscar poderia ser um tiro no pé ou um acerto no coração. Sem volta, sem passagem. Fico aqui, porque lá a cidade é cinzenta e fala alto. Aqui as montanhas me protegem do caos, da poluição e dos meninos maus. Lá tudo seria um risco, inclusive nós. Reviver infâncias, rever fotografias são para os saudosistas e não para nós. Temos planos e planos. Cada um em sua cidade ideal, tentando fazer sua glória, seu caminho. Mas eu moro aqui, onde o trem passa e eu não vejo, onde o pão-de-queijo é só de padaria, onde não tem desconfiança que não seja nata e não há insegurança que não seja plena. No seu mundo metrópole, cada cara no mano a mano faz um trampo pra viver. E uma distância de tempos, destinos e vidas faz com que eu more aqui e não lá.

3 comentários:

  1. Volto a dizer...difícil.
    Essas distâncias AQUI e LÁ. Não sei calcular onde é ali, onde é aqui. Tantas vezes eu quase começo a achar que tô morando no lugar que eu queria, mas quando eu vou ver...tô longe. Difícil.

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  2. me deu vontade de gritar...
    ahaaaaaaaaa.........

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  3. é, certas viagens não valem a pena, linda ;o)

    muito querido o seu canto! gostei!

    obrigada pela visita! volte sempre que quiser

    beijocas

    MM.

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