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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

One art



The art of losing isn't hard to master;
So many things seem filled with the intent
To be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
Of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
Places, and names, and where it was you meant
To travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
Next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
Some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.

—Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
The art of losing's not too hard to master
Though it may look like (Write it!) like disaster.

(BISHOP,Elizabeth. 1977)

terça-feira, 25 de junho de 2013

faça-me rir



pode tudo ser uma questão de ponto de vista, mas criar expectativas é algo inerente ao ser humano. e isso é tão ruim. 

a gente se apega a palavras, momentos. acredita ter amigos, amores, família. talvez seja um pouco do amargor que faça eu pensar assim. mas acho tudo muito ruim. 

eu queria mesmo  não ter esperado tanto assim e ser surpreendida. é tão bom abrir um sorriso largo e sincero. ser honestamente rendida pela capacidade do outro de desarmar as barreiras que criamos para nos proteger. sorrir. 

se surpreender. 

esperar pelo pior talvez fosse uma maneira mais simples de conseguir momentos, mesmo que pequenos, de felicidade. quando acontecesse tudo ao contrário do imaginado, a gente simplesmente mostraria os dentes e deixaria escorrer a lágrima da alegria. 

se surpreender com o pior. 

pode ser que olhando do outro lado, o pessimismo corrompa toda a energia para tentar deixar a felicidade aflorar. mas é como disse, criar expectativas é algo inerente ao ser humano. e isso é tão bom. 

a gente se apega a finais nos quais todo mundo ri. 

deixa eu terminar desse jeito para que você também acredite que comigo foi assim. 

só que a gente se surpreende.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Num estalo



Há vários modos de se perder a vida. Dois deles, porém, me chocam um pouco mais. Há quem perca desde ainda criança a chance de fazer a vida valer a pena. Deixa passar as broncas da mãe, não se importa com os conselhos do pai ou ainda, pior, sequer contou com eles durante essa fase. Daí cresce. Ou melhor, daí perde o tempo e fica mais velho, porque muita gente assim não cresce. Só aumenta as dezenas na carteira de identidade. A mentalidade continua sendo aquela mesma de alguém que não ouvia a mãe, brigava com o pai ou que saía por aí sem dar satisfação a ninguém.  

Há quem perca a chance de ver a vida valer a pena porque alguém lhe tomou essa oportunidade. Perdeu o bem mais precioso. Pá. 

A agonia deve percorrer cada centímetro do corpo onde o sangue ainda pulsa, mas vai dando vazão numa saída muda. O desespero deve correr os poucos lapsos de oxigênio. A tristeza, embalar e o coração querer gritar aos presentes, aos amantes todas as alegrias e certezas daquele ser até ali. 

A vida é mesmo um fio fino que à toa escapa. 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

de tudo o que perdemos



Eu tenho que parar de iniciar frases na condicional, deixar de aprisionar minhas ideias em algo de um tempo nunca vivido. Parar de imaginar bobagens, de dormir com a porta fechada como se alguém pudesse entrar no meio da noite para assombrar qualquer sonho bom. Parar de pensar no que seria da vida e encarar que só há uma coisa a fazer todos os dias, inclusive nos mais difíceis. 

Viver com uma certeza assim talvez fosse muito mais fácil do que pra alguém que ouviu a vida inteira que a única certeza de fato é a morte. Sair sem medo de pisar em algum deixado no caminho, apanhar, reconhecer valor... 



Sobreviver.

Foto: Reprodução (500) Days of Summer.