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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Tamanho único

Depois de um tempo a gente percebe que certos garotos são mesmo diferentes dos outros. Embora eles gostem de generalizações, como as que dizem que somos nós todas iguais. O engraçado é que a gente percebe mesmo que certos garotos não vão te compor poemas, gravar um cd com músicas que querem dizer alguma coisa ou ainda olhar nos seus olhos e dizer algo que realmente valha a pena ouvir. Certos garotos vão repetir os mesmos elogios diversas vezes, rir quando não entenderam o que você disse, disfarçar porque não percebeu que você estava ouvindo a música que (acidentalmente) rolou no carro. Eles não vão abrir portas de carros, comprar uma pelúcia ou te encher de chocolates. Certos garotos não valem a pena. E não é apenas porque eles não vão suspirar no fim de um beijo. Eles vão, mas será puro tesão. Certos garotos são apenas o que são. Certos garotos não deixam de ser interessantes, legais ou divertidos. Eles só são garotos que não estão na sua categoria "vou levar". Certos garotos deixam lembranças gostosas ainda quando você entra no elevador e abre um sorriso constrangido para o porteiro, que notou seu rosto corado. Certos garotos vão apenas te deixar em casa. Certos garotos não têm mesmo ambição de serem melhor ou se esforçar para ser bom. Eles querem estar na cadeira mais confortável e que tenha acesso ao ar condicionado. Certos garotos correm atrás de um sonho, mesmo que seja o de padaria, por você. Outros, fazem um pedido num fast-food. E a gente percebe também que até os clichês que agora enumero aqui são mesmo constatações de menina, mas que certos garotos chamam de mulher. E não há exagero ou conto de fadas em querer o garoto certo, aquele que te trata de "minha menina". Eu o conheço e sei que ele existe. 

terça-feira, 12 de abril de 2011

Reflexão do vazio


Eu juro que estou tentando ser mais independente de você. É difícil. 
Já faz um tempo que cresci, mas ainda quero estar agarrada no seu colo. 
Porque todas as vezes que eu disse pra você se cuidar, queria mesmo era o seu braço envolvendo meu corpo e dizendo que eu era toda sua e que você iria sim cuidar, mas cuidar de mim. 
Saudades.

sábado, 2 de abril de 2011

Just you

Você é tão sensível que valoriza um abraço, 
mas estúpido o bastante para não mais me dar as mãos
É sensível para comprar a flor certa, 
mas estúpido o suficiente para estragar tudo - mesmo sendo sincero. 

Você é sensível ao ponto de gostar de cartas escritas a mão, 
mas tão estúpido que cifra mensagens em um único post
Sensível ao ponto de notar a textura do papel do seu presente
E estúpido por fazer promessas vazias.

Você é tão sensível que cita poemas no meio do dia, 
mas é estupidamente cruel por me fazer sorrir, 
embora já tenha quebrado o meu coração.

quarta-feira, 30 de março de 2011

estranho?


Composição : Marisa Monte/Arnaldo Antunes/Carlinhos Brown

Não é fácil
Não pensar em você
Não é fácil
É estranho
Não te contar meus planos
Não te encontrar

Todo dia de manhã
Enquanto tomo meu café amargo
É, ainda boto fé
De um dia te ter ao meu lado

Na verdade eu preciso aprender
Não é fácil, não é fácil

Onde você anda
Onde está você
Toda vez que saio
Me preparo pra talvez te ver

Na verdade eu preciso esquecer
Não é fácil, não é fácil

Todo dia de manhã
Enquanto tomo meu café amargo
É, ainda boto fé
De um dia te ter ao meu lado

O que eu faço
O que posso fazer?
Não é fácil
Não é fácil

Se você quisesse ia ser tão legal
Acho que eu seria mais feliz
Do que qualquer mortal

Na verdade não consigo esquecer
Não é fácil
É estranho

segunda-feira, 28 de março de 2011

Fugam libere


Eu queria mesmo acordar, amor. Você já está indo e nem lembrou da sua escova de dentes no meu armário do banheiro, apenas fez questão daqueles filmes antigos. Você já foi e as suas chaves continuam no meu chaveiro. Talvez eu até tenha te acompanhado, mas prum lado que você não foi ou só esteve de passagem. Queria ter notícias suas, amor. Saber do seu violão, dos seus domingos, dos seus primos. Sabe, faz um tempo que eu não acordo num sobressalto e animada para preparar o nosso café. Eu queria mesmo acordar. 
Já pensou, amor, se um de nós tivesse arrasado o projeto do outro? Que desamor. Veja, querido, a que ponto chegamos. Amando tanto soltamos as mãos, deixamos o outro partir. E ir. 
Sabe de uma coisa, amor, por mais que você demore só alguns meses, garanto que o meu sofrimento não está parcelado. Ele é intenso, dói que é uma beleza. Quem sabe ele não sangre, não mate ou morra? Quanto a isso, vá tranquilo. Meu choro é certo. 
Mas, caso se passem anos e você não retorne, terei que pegar outras parcelas de sofrimento e você sabe como é, mulher se endividando é um problema. Mas, tudo bem. Eu me viro, não se preocupe com isso também. Uma coisa, porém, eu lhe digo, amor: depois de um ano, você não vindo desisto de acordar e de te esquecer.

terça-feira, 15 de março de 2011

Suffering




Acho que eu não posso me queixar. Você bem que avisou que depois do amanhecer estaria longe. Eu guardei isso. 
Mas por que toda aquela conversa, cartas e flores?
É, eu também guardei tudo isso numa lata de biscoito velha, gelada. Na verdade é irônico, eu não poderia ter escolhido lugar melhor para acumular as tralhas que você deixou. 
Uma lata fria e de aço. 
Eu pensei que não teria problema, que o conteúdo aqueceria tudo. Isso claro, se houvesse sentido (ou sentimento, vai saber). 
Como disse, você avisou. A frustração é minha. Assim como a dor e o descaso com a vida. 
Mas tudo bem, eu só preciso aprender a escolher melhor as minhas dores, saber por quem sofrer. Afinal, o sofrimento é inevitável. 
Só espero que também aprenda com tudo isso, que amadureça. E, principalmente, que saiba o que fazer com o sentimento dos outros quando alguém se entregar a você. 
Foi triste ver o seu silêncio quando perguntei o que estava fazendo. 
E agora dói.