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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Velha infância, não mais

Eu já tinha ouvido a verdade de todo mundo. Mas Alguém quis que eu ouvisse cada sílaba ser pronunciada pelo som inconfundível da sua voz. Doeu em cada parte do - nos-sa his-tó-ri-a a-do-les-cen-te. Eu só não esperava que você fosse capaz de completar o meu tormento ao ouvir tudo aquilo, me dizendo da história que você escolheu viver. Ficou claro que se cansou da velha infância, dos domingos na beira do rio, da falta de convivência, das cartas semanais que chegavam do correio. É normal - só eu que não tinha percebido. É claro que você um dia teria que seguir com alguém que estivesse by your side. Nada fica congelado, embora eu adoraria apertar o play de onde paramos. 
Me fazendo ouvir a verdade, você só fez assassinar qualquer vigor do nosso plano de vida. Mas, que plano? Eu devia ter entendido que seus não-sinais eram a sua mensagem mais clara sem massacrar todos os meus sentimentos.
De amarelo desbotado o nosso livro ficou escuro e, de repente, foi tomado pelo branco surpreendente que o fez sumir. Mas, que livro?

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

sábado, 10 de dezembro de 2011

The question is...



A ordem superior dizia que o ideal era nunca perguntar: qual, onde e o quê?
Quando se fica nos porquês a coisa sempre rende muito mais. Talvez isso valha pra mais do que uma área da vida.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Impressões


Acordei e vi o mundo cinza pela janela do quarto. 
Tive vontade de passar o dedo no vidro para ver se não era só a poeira que tornava tudo nublado. 
Daí, me dei conta de que estava cinza por dentro e, não, do lado de fora. 

terça-feira, 29 de novembro de 2011

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Autossabotagem


Tava quase seco e só um observador atento viria que ainda existia algo ali. Tava quase seco, mas não ao ponto de não me fazer mais sangrar. Eu não sei se fiz por querer ou se esbarrei em alguma coisa que fez a cicatriz se abrir.Bastou e doeu. Doeu no fundo da minha alma, na superfície da minha pele, no lado esquerdo do peito, no canto dos olhos, na amargura da boca e em cada centímetro do meu eu. Doeu. 
A cicatriz aberta me mostrava cada lembrança, cada flash de esperança se esvaindo com a dor. Um arrepio tomou conta dos meus pensamentos e vivi cada sorriso, cada abraço e beijo outra vez. Só retomei os sentidos quando percebi que eu ainda sangrava. 
Tentei conter a emoção das lembranças tão intensas com um banho puro. Nada mais foi do que uma tentativa de experienciar a sabedoria popular do "lavar alma". A água na verdade só tornou os meus pensamentos que, mais claros, permitiram-me ver além dos sorrisos, beijos e abraços. Vi toda a causa de ferimento tão interno e profundo. 
Lamentei não ter visto antes, lamentei não ter sentido nada (e tudo ao mesmo tempo), lamentei minha expressão inerte. Enfim, lamentei ainda lamentar pelo vestígio do estrago que fizemos no meu coração.
Daí eu parei de lamentar, retomei o fôlego e fiquei parada um bom tempo olhando aquela cicatriz ali, parada, como devia mesmo ser. Corri os dedos em seu contorno, senti a temperatura, apertei de leve, raspei com as pontas das unhas. Eu meio que curti essa autoflagelação temporária. Era bom saber o porquê doía. O porquê ainda machucava e incomodava. Lembrar de cada vez em que fizemos essa ferida crescer, penentrando em cada camada, forte, lenta e dolorosamente, ao longo de anos.
E agora é isso, o que restou-me mais? Uma chaga não-curada que só pode contar com o tempo pra fechá-la de uma vez.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Memories



Um amigo citou outro dia Gabriel Garcia Márquez num pequeno dizer "A vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la". E mesmo antes disso, já vinha mesmo pensando em um dos meus exercícios prediletos nos últimos quase dois meses. 

Acontece assim como numa chuva de verão, que sempre se almeja, mas nunca se sabe quando vem, estou rodeada de cores e do calor do sol num momento lindo e, de repente, começo a pensar em outros momentos distantes destes daqui, mas que ainda provocam um sorriso no rosto. 

Coisa simples, um passeio no shopping, uma risada gostosa por uma piada que é só nossa ou mesmo o seu toque e o nosso jeito de encontrar os melhores recortes de revistas.  Nesse exercício involuntário de sorrir duas vezes, uma pelo momento imediato da felicidade e outro pela nostalgia dos nossos bons momentos, tenho um impulso gigante de correr pros seus braços outra vez. 

Mas, então eu recorro ao 'oráculo' de alguém e me recordo da sabedoria de outro dizer: "I think you’re just remembering the good stuff. Next time you look back, I really think you should look again". 

O impulso passa, como a chuva de verão. 

O meu sorriso fica e tudo não passa de recordações.