Pessoas, momentos e histórias sempre há algo a mais: ponto escondido, olhar enrustido, vírgula fora do lugar ou tê sem cortar.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Autossabotagem
Tava quase seco e só um observador atento viria que ainda existia algo ali. Tava quase seco, mas não ao ponto de não me fazer mais sangrar. Eu não sei se fiz por querer ou se esbarrei em alguma coisa que fez a cicatriz se abrir.Bastou e doeu. Doeu no fundo da minha alma, na superfície da minha pele, no lado esquerdo do peito, no canto dos olhos, na amargura da boca e em cada centímetro do meu eu. Doeu.
A cicatriz aberta me mostrava cada lembrança, cada flash de esperança se esvaindo com a dor. Um arrepio tomou conta dos meus pensamentos e vivi cada sorriso, cada abraço e beijo outra vez. Só retomei os sentidos quando percebi que eu ainda sangrava.
Tentei conter a emoção das lembranças tão intensas com um banho puro. Nada mais foi do que uma tentativa de experienciar a sabedoria popular do "lavar alma". A água na verdade só tornou os meus pensamentos que, mais claros, permitiram-me ver além dos sorrisos, beijos e abraços. Vi toda a causa de ferimento tão interno e profundo.
Lamentei não ter visto antes, lamentei não ter sentido nada (e tudo ao mesmo tempo), lamentei minha expressão inerte. Enfim, lamentei ainda lamentar pelo vestígio do estrago que fizemos no meu coração.
Daí eu parei de lamentar, retomei o fôlego e fiquei parada um bom tempo olhando aquela cicatriz ali, parada, como devia mesmo ser. Corri os dedos em seu contorno, senti a temperatura, apertei de leve, raspei com as pontas das unhas. Eu meio que curti essa autoflagelação temporária. Era bom saber o porquê doía. O porquê ainda machucava e incomodava. Lembrar de cada vez em que fizemos essa ferida crescer, penentrando em cada camada, forte, lenta e dolorosamente, ao longo de anos.
E agora é isso, o que restou-me mais? Uma chaga não-curada que só pode contar com o tempo pra fechá-la de uma vez.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Memories
Um amigo citou outro dia Gabriel Garcia Márquez num pequeno dizer "A vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la". E mesmo antes disso, já vinha mesmo pensando em um dos meus exercícios prediletos nos últimos quase dois meses.
Acontece assim como numa chuva de verão, que sempre se almeja, mas nunca se sabe quando vem, estou rodeada de cores e do calor do sol num momento lindo e, de repente, começo a pensar em outros momentos distantes destes daqui, mas que ainda provocam um sorriso no rosto.
Coisa simples, um passeio no shopping, uma risada gostosa por uma piada que é só nossa ou mesmo o seu toque e o nosso jeito de encontrar os melhores recortes de revistas. Nesse exercício involuntário de sorrir duas vezes, uma pelo momento imediato da felicidade e outro pela nostalgia dos nossos bons momentos, tenho um impulso gigante de correr pros seus braços outra vez.
Mas, então eu recorro ao 'oráculo' de alguém e me recordo da sabedoria de outro dizer: "I think you’re just remembering the good stuff. Next time you look back, I really think you should look again".
O impulso passa, como a chuva de verão.
O meu sorriso fica e tudo não passa de recordações.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Tamanho único
Depois de um tempo a gente percebe que certos garotos são mesmo diferentes dos outros. Embora eles gostem de generalizações, como as que dizem que somos nós todas iguais. O engraçado é que a gente percebe mesmo que certos garotos não vão te compor poemas, gravar um cd com músicas que querem dizer alguma coisa ou ainda olhar nos seus olhos e dizer algo que realmente valha a pena ouvir. Certos garotos vão repetir os mesmos elogios diversas vezes, rir quando não entenderam o que você disse, disfarçar porque não percebeu que você estava ouvindo a música que (acidentalmente) rolou no carro. Eles não vão abrir portas de carros, comprar uma pelúcia ou te encher de chocolates. Certos garotos não valem a pena. E não é apenas porque eles não vão suspirar no fim de um beijo. Eles vão, mas será puro tesão. Certos garotos são apenas o que são. Certos garotos não deixam de ser interessantes, legais ou divertidos. Eles só são garotos que não estão na sua categoria "vou levar". Certos garotos deixam lembranças gostosas ainda quando você entra no elevador e abre um sorriso constrangido para o porteiro, que notou seu rosto corado. Certos garotos vão apenas te deixar em casa. Certos garotos não têm mesmo ambição de serem melhor ou se esforçar para ser bom. Eles querem estar na cadeira mais confortável e que tenha acesso ao ar condicionado. Certos garotos correm atrás de um sonho, mesmo que seja o de padaria, por você. Outros, fazem um pedido num fast-food. E a gente percebe também que até os clichês que agora enumero aqui são mesmo constatações de menina, mas que certos garotos chamam de mulher. E não há exagero ou conto de fadas em querer o garoto certo, aquele que te trata de "minha menina". Eu o conheço e sei que ele existe.
terça-feira, 12 de abril de 2011
Reflexão do vazio
Eu juro que estou tentando ser mais independente de você. É difícil.
Já faz um tempo que cresci, mas ainda quero estar agarrada no seu colo.
Porque todas as vezes que eu disse pra você se cuidar, queria mesmo era o seu braço envolvendo meu corpo e dizendo que eu era toda sua e que você iria sim cuidar, mas cuidar de mim.
Saudades.
sábado, 2 de abril de 2011
Just you
Você é tão sensível que valoriza um abraço,
mas estúpido o bastante para não mais me dar as mãos
É sensível para comprar a flor certa,
mas estúpido o suficiente para estragar tudo - mesmo sendo sincero.
Você é sensível ao ponto de gostar de cartas escritas a mão,
mas tão estúpido que cifra mensagens em um único post
Sensível ao ponto de notar a textura do papel do seu presente
E estúpido por fazer promessas vazias.
Você é tão sensível que cita poemas no meio do dia,
mas é estupidamente cruel por me fazer sorrir,
embora já tenha quebrado o meu coração.
quarta-feira, 30 de março de 2011
estranho?
Composição : Marisa Monte/Arnaldo Antunes/Carlinhos Brown
Não é fácil
Não pensar em você
Não é fácil
É estranho
Não te contar meus planos
Não te encontrar
Todo dia de manhã
Enquanto tomo meu café amargo
É, ainda boto fé
De um dia te ter ao meu lado
Na verdade eu preciso aprender
Não é fácil, não é fácil
Onde você anda
Onde está você
Toda vez que saio
Me preparo pra talvez te ver
Na verdade eu preciso esquecer
Não é fácil, não é fácil
Todo dia de manhã
Enquanto tomo meu café amargo
É, ainda boto fé
De um dia te ter ao meu lado
O que eu faço
O que posso fazer?
Não é fácil
Não é fácil
Se você quisesse ia ser tão legal
Acho que eu seria mais feliz
Do que qualquer mortal
Na verdade não consigo esquecer
Não é fácil
É estranho
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