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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Free & diet

É bom que você saiba que eu me desgastei também, mas que não perdi a moeda de troca para me refazer inteira. Todos os dias me alimento um pouco do vento, das melodias, dos sorrisos alheios e do tempo. Me permito alguns excessos, vez ou outra, para não cair na rotina. É aí que eu me entrego às doses de você. Do seu modo, seriam todas homeopáticas, mas gosto de me lambuzar por inteira na sua voz, entorpecer-me no seu calor e me embebedar dos seus olhares. Cautela eu só incluo no cardápio nos dias santos e feriados, no resto, eu gosto é do 'bom gosto'. Segunda eu reservo uma porção de disposição; na terça me satisfaço com a motivação; quarta eu me permito uma cevada, que é dia de jogo e ninguém é de ferro. No mais eu deixo a quinta, sexta e sábado à vontade. Um pouco de tudo e sem aspartame. Domingo, como eu disse, reservo pra cautela.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O dia em que eu acabei com a piscina da minha lavanderia

Para quem quiser conhecer um pouco do meu lado cômico, confiram o post colaborativo para o Guia do Solteiro sem empregada, do meu amigo Ricardo Côrrea. 

Comentário do Ricardo: Minha gente: o blog do Solteiro, Sozinho sem Empregada está de volta e hoje vive um momento inédito. Pela primeira vez na história, aceitamos um post colaborativo. Trata-se de texto escrito pela Ana Clara Otoni, que conta suas agruras em sua casa. Prestem atenção em como a vida não é difícil apenas na green house. E confie no que ela disse sobre o veda rosca. Se você esqueceu, lembre-se deste post que fala sobre o importante item (http://solteirosemempregada.blogspot.com/2007/11/hoje-histria-curta-pois-o-tempo-curto.html). E desconsidere a última frase do texto dela. :)


Sou uma moça sozinha (embora more com mais duas meninas), solteira (com o namorado a 586 KM de distância) e sem empregada. Ou seja, não sou tão sozinha assim, nem solteira, mas o fato que interessa mesmo é que passo perrengues semelhantes, senão, piores que os do meu amigo Ricardo Corrêa. 
Depois de passar meses esquentando a barriga no fogão durante todos os dias úteis fazendo brigadeiros para vender na faculdade, finalmente, consegui juntar dinheiro para comprar a máquina de lavar da república. Na ocasião, contei com os trabalhos braçais e de comerciantes de outras duas rommattes. Mas, porém, todavia, contudo, o caso que venho contar não tem nada a ver com essa máquina. Até porque eu a perdi no jogo. Não, eu não sou viciada em drogas, tampouco em bingo de domingo da Afonso Pena. Mas com a saída das duas meninas que moravam comigo na república, eu perdi a máquina em um sorteio. Foi quando dei, talvez, o passo mais importante da minha vida: comprei a minha própria máquina de lavar. Que alegria imensa! O que senti se assemelha a isso aqui.
Bem, sem mais delongas...deixe-me contar a história que interessa. 
Com a chegada da máquina nova, fiz a instalação dela todinha...
Até aí, tudo bem. O problema mesmo foi a torneira que sai da área de lavar, que começou a pingar freneticamente, como que se rebelasse contra a nova parceira de cômodo, ou como que apontasse o seu desgaste de três décadas. (bem, isso é um exagero, mas a torneira já estava bem capenguinha mesmo). 
Depois de umas três meses de enrolação, finalmente, comprei a torneira nova para trocar. 
Foi quando começou o pesadelo. Para quem, como eu, não sabe, existem dois tipos básicos de torneiras a de 3/4 e a de 1/2. 
Eu sabia que a da minha lavanderia tinha uma entrada grossa, mas não me atentei para essa medida específica até chegar à loja de suprimentos eletrônicos e domésticos do meu bairro. 
Era um sábado ensolarado e não era uma boa ideia acabar com a piscina doméstica que a minha área de lavar tinha se transformado, mas eu precisava aproveitar a presença do meu namorado em BH para fazer o conserto da torneira. 
O moço da loja me explicou que, por eu morar em um prédio mais velho, era mais provável que a medida da torneira fosse a de 1/2. E que, caso não fosse, era só eu comprar um adaptador que daria certo depois. 
Comprei a torneira, e saí pela rua feliz e saltitante.
Chegando em casa, pedi ao meu namorado para trocar a torneira para mim e descobrimos que eu havia comprado a medida errada. E era  óbvio que, o moço não trocaria uma torneira já aberta do pacote. Então, perdi a chance de contar com o meu prestativo namorado, pois, na semana seguinte, ele já não estaria em Belo Horizonte.
Pedi que uma das meninas que moram comigo para comprar o tal adaptador. 
Depois de uns três dias, fui fazer o serviço. 
Torci o cano e a torneira até que eles saíssem na minha mão. 
Desenrosquei a torneira do cano, coloquei o adaptador e encaixei a torneira. YES! Tinha dado certo, pelo menos o encaixe foi perfeito. 
Porém, quando chegou a hora de juntar a torneira com a mangueira da máquina, percebi que havia alguma coisa errada. 
Constatei que haviam três peças da torneira sobrando, e, como diria o veterano desse espaço, não é um bom sinal quando sobram peças em alguma instalação. 
Então, percebi que na verdade não eram três peças, mas duas. Uma delas era a rodinha do refil da veda-rosca, mas eu JURO que parecia uma peça para encaixar torneiras. 
Fui novamente à loja e expliquei o meu problema pro moço. 
Ele me fez comprar mais um adaptador, uma veda rosca e uma resistência para o chuveiro. Pois é, uma resistência para o chuveiro. Nada a ver com a máquina, eu sei. Mas ele disse que talvez seria esse o problema que comentei sobre o cheiro de queimado e depois a água fria no chuveiro da minha casa. 
Mais uma vez, voltei para casa feliz e saltitante, cantarolando pela rua e sorrindo para os passarinhos....
Cheguei na área de lavar decidida. Tomei o cano com a torneira nas mãos e torci, torci, torci e torci para desenroscar os dois e nada. 
Bati no vizinho e pedi um alicate emprestado. Ele me disse "esse é daqui eu peguei emprestado do prédio mesmo, quando terminar devolve para o porteiro". Ok, sem problemas. 
Ou melhor, com problemas. Eu não conseguia desenroscar o cano que eu mesma tinha enroscado na torneira nem com reza brava. 
P da vida, fui até a portaria e pedi para o porteiro me ajudar. Ele também torceu, revirou a cara, pôs mais força e nada. Disse apenas "É, acho que essas peças estão coladas, viu". E eu expliquei que não, que tinha sido eu mesma a encaixar as duas coisas e que agora estava muito firme para soltar. Ele soltou um: "Foi você mesma quem encaixou isso aqui? Minha Nossa Senhora!!!"
Finalmente, o porteiro conseguiu desenroscar os dois objetos. Ele ainda me deu um conselho "você precisa daquele negócio, é, é, é...teflon". 
Eu: - "Ah, veda-rosca, né? Sim, sim...eu já comprei". 
OU SEJA, todo o problema deveu-se ao fato de eu não ter usado a bendita veda-rosca no encaixe do adaptador com o cano. 
Já no meu apartamento, não tive mais problemas. Encaixei um adaptador no cano, o outro na torneira e um terceiro na máquina de lavar e pronto!
A minha máquina de lavar estava prontinha para receber uma trouxa de roupas e isso não significaria mais "tarde na piscina da lavanderia". 

Então, vamos lá, o que aprendemos com esse post:

> As medidas mais comuns de torneiras são 1/2 (mais fina) e 3/4 (mais grossa). Quando for trocar uma torneira, verifique qual é a espessura do cano da sua casa. Tem sempre marcando na saída do cano. Assim, você evita todo o transtorno que eu passei. 
> Tenha sempre veda-rosca em mãos. (não isso não é um trocadilho infame) Veda-rosca é aquela fitinha branca que você passa nas extremidades da torneira e dos canos para fazer a ligação de um com o outro. Há pessoas que a chamam de teflon, embora eu só conheça um tecido com esse nome, enfim... 
> Nunca faça as unhas à noite e vá consertar a torneira da máquina de lavar pela manhã. (sim, é óbvio, estúpido, mas eu fiz...)
> Compre um alicate. Assim você evita ter que mobilizar o prédio inteiro atrás do equipamento pra você. Ok, no meu caso foi só o porteiro e o meu vizinho, mais ainda assim é chato. 
> Não é normal cheiro de queimado saindo do chuveiro. Você pode estar precisando de uma resistência nova. 
> Sempre desconfie de um cara que mora numa "green house".

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Na calçada pela manhã

Se eu sair cedo ainda encontro com eles. Cedo assim, 5h50. Basta passar um quarteirão e lá estão eles brilhando no canto sujo da calçada. O par, obviamente simétrico, não demanda trabalho a dona, pois o verniz os deixa com aquela carinha de novinhos em folha. Fico imaginando quanto pode durar o efeito. Afinal, todos os dias a dona está no ponto a espera do coletivo que vai saculejar até o trabalho. Eles parecem treinados para não perder o compasso. A dona ensaia ainda na calçada o tique-taque-tum num saculejo impaciente de quem aguarda uma jornada longa. De passo, em passo eles vão perdendo um pouco da salsa e se deixam levar pelo batuque. Acho que a cara da dona eu nunca vi. Só a deles mesmo. Talvez pelo brilho ou pela melodia que ecoam nas minhas manhãs. Eles me deixam mesmo encabulada, como pode sapatos assim tão pretinhos, tão limpinhos, ficar nessa alegria enquanto espera o ônibus? Pode até ser que com amor se explique. Sei lá, vai que tem um parzinho arrumado no assento ao lado da dona. Já pensou? Um compasso a quatro num coletivo lotado e ninguém dando bola pros pisantes enamorados. Nada, isso é conversa fiada. Eles devem se empolgar só por sair da caixa escura, sair do quarto se arrastando em plena madrugada fria e descer apressados pelas escadas do prédio da dona, contornar a esquina e correr para o ponto. Ah, a calçada. Essa é outra que deve esperar por eles e pela dignidade que trazem a ela, quando se acomdam em seu peitoril. O balanço deles contagia, apesar de irritar o moço enfezado com o cigarro do outro lado. De certo esse daí não gosta de madrugar ou tem pressa de chegar a algum lugar. Eu não, quando passo fico esperando o brilho deles iluminar a minha retina e o batuque animar o meu dia. Mas só dá certo nos dias em que saio cedo.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Pra lá dos ventos de agosto



Pode ainda faltar um mês para a primavera, mas já sinto o frescor das flores se aproximando. As cores mais vivas nas ruas, o perfume inebriante em todos os cantos e esquinas. Pode tudo não ser tão mágico como se anuncia nas propagandas e nas coleções de primavera-verão, mas pelo menos todos estão se esforçando para deixar as vitrines mais belas, mais vivas. É um pouco disso que a gente precisa quando tudo vai ficando cinza demais. Morno demais. Estático e errático como uma estátua de pedra-sabão numa cidadezinha do interior. As pessoas passam, olham e depois de um tempo já nem a notam mais. Vez ou outra alguém se lembra dela para dar uma referência, passar o endereço certo. É como aquela pessoa que você identifica por alguma característica, pois de tão apagada você nem se deu ao trabalho de decorar o nome. "Aquela do cabelo cacheadinho", "uma gordinha que senta naquele computador da esquerda", "o que vem sempre de boné azul". Qualidades poderiam ser destacadas em cores. Amarelo para a vivacidade, para aqueles que te recebem com um sorriso aberto, franco. Azul para quem tem a habilidade incontestável de nos relaxar, aconselhar. Fica o vermelho, o preto e o roxo para aqueles que querem tudo do bom e do melhor, aqueles que idolatram o luxo, que amam o poder. Não que sejam cores ruins ou maquiavélicas, apenas características que alguns têm em maior evidência. E quando a primavera vai chegando a gente encontra de tudo um pouco nas ruas. Uma mistura que chega a ser brega, mas que convence nas revistas. 
Da primavera eu quero mesmo só a liberdade para ser feliz. Quero poder apontar mil cores em mim e ter orgulho disso. Cansei de sentir o amargo de agosto, embora eu nunca tivesse o experimentado com tanta voracidade. Não quero mais essa temporada de ventos que atrapalham o cabelo e os destinos. Que muda tudo de rota, que faz as folhas caírem antes da hora e que despertam a tempestade em nós. 


PS. Foto de Ana Clara Otoni.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Sobre a inércia alheia


Você ignorou a ligação, a mensagem e todos os meus pensamentos. Fato.
Provavelmente, quis reprimir toda a vontade que tentava corromper o "bom-moço" e, assim, evitar o perigo. Ou seria a verdade?
Não sei se você foi covarde ou se eu fui quem arriscou demais. Você deve nem achar, mas eu tenho muito a perder. Certas coisas a gente demorar pra conquistar, não são como aquele sorriso que você arranca dos meus lábios apenas com a sua chegada. Eu tô falando de coisas que você não compreende, não viu. Não tem. 
É por isso que deve pensar que estou correndo riscos por aí. Pegando escalas malucas, fazendo horários bizarros e desenhando seu rosto em outros lugares. Saiba que se estou, não deveria. As minhas aventuras são calculadas, ensaiadas até, eu diria. E, não, eu não acho que isso faça com que elas percam o frescor da surpresa. Mas, saiba que quando são frustradas, contabilizo meus sofrimentos, minhas angústias e cada risco em vão. Vou marcando tudo num caderninho, um dia mando a conta.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Inabitável



"Eu era uma concha vazia. Como uma casa vazia, por meses sem ninguém - uma casa condenada - , eu era completamente inabitável. Agora havia algumas melhorias. A sala da frente estava em reformas. Mas era só isso - só um cômodo pequeno. Ele merecia alguém melhor - melhor do que uma casa em ruínas com um cômodo só. Nenhum investimento poderia me deixar funcional outra vez. "
Stephenie Meyer