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terça-feira, 19 de maio de 2009

Sonho afoito


Hoje eu te vi, dormindo e sem boné. Quase não acreditei, ah é, era um sonho. Você ali largado num sofá, tão belo. Aquele seu jeito de moleque largado, tranquilo. Não me contive, num lance me joguei aos seus pés (e pernas) e acordei-o. Assustado, olhou-me, porém, com afeto. E eu, eufórica, atrapalhei aquele momento de olhares e atropelei-o com explicações. Inúmeras, vãs, mas que pra mim faziam todo sentido e seriam motivo de uma longa briga, em que você me cobraria mil coisas. Você me conhece...
Me puxou para cima do seu sofá, não disse absolutamente nada e me abraçou com seus braços e sorrisos. Não consegui me desvencilhar de seu toque, aquele cheiro de quem dormia a tarde inteira, do afagos plenos, dos deslizes que nos divertiam sempre.
Precisei conter meu envolvimento, você já espera por isso, e não me esperou nem me levantar...já estava longe, na sua cidade conturbada, no metrô, nas avenidas. Quando despertei olhei pela janela e vi as montanhas ali, paradas como sempre. Me protegendo, como sempre.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Da velha infância...


O que dizer sobre os meus pensamentos longínquos e constantes em um lugar não tão distante assim. Do tipo “quando alguma coisa acontece no meu coração...”.
E não é apenas Caetano que me inspira, mas algo que vem de longe, lá de longe.
Dos tempos das brincadeiras de menina, das visitas à família nos finais de semana, das risadas e fotos, dos cartões de aniversário. Das piadinhas pela janelinha nos dentes, das chateações típicas da idade. Da amizade. Do reencontro, da descoberta de um novo sentimento, dos encontros, dos bancos da escola, das festas, das cartas e textos, das músicas e da nossa Velha Infância.
Um turbilhão de emoções e sentimentos, que por muito tempo incompreendido fez de nós pessoas opostas - ou não. Buscamos a nós mesmos por diversas vezes e a sua prepotência (ou talvez, nossa) fez com que ano, após ano criássemos uma distância astronômica entre nós.
Eis que um dia, porém, o contato é refeito, as novidades compartilhadas, os sonhos ditos e muita, muita coisa ficara incompreendida, posta no ar. Sutilezas de vírgulas, reticências vãs que por si só já diziam muito. De nós. Dois opostos de uma infância em comum. Duas faces avessas do mesmo vestido dourado. São peculiaridades fatais que abrem abismos entre eu e você. E o presente pode construir uma ponte gigante. Pode unir-nos pra sempre, talvez. O fato de pensar assim não me mata, não me dói. Não por acaso muitos poetas e cantores já diziam: um nó na garganta e um aperto no peito. Os pensamentos invadem, não pedem mais licença, estão loucos, desvairados. A angústia profunda das recordações em cores reprisa diariamente o mesmo filme. Próximo do fim tudo desbota e volto para a minha realidade em branco e preto. Invadida pelas emoções antes contidas, desespero-me para escrever todos esses incômodos - que me assaltaram nos elevadores, becos e curvas. Que tomaram meu prazer pelas pequenas coisas. E fizera de mim uma pedinte, carente e solitária.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Ponte aérea


"Mas não, mas não. O sonho é meu e eu sonho que deve ter alamedas verdes a cidade dos meus amores"

Enriquez/ Bardotti /Chico Buarque



Mas é que eu moro aqui e não lá. Nunca pedi licença do trabalho e embarquei de vez. A viagem poderia não compensar, e eu moro aqui e não lá. Arriscar poderia ser um tiro no pé ou um acerto no coração. Sem volta, sem passagem. Fico aqui, porque lá a cidade é cinzenta e fala alto. Aqui as montanhas me protegem do caos, da poluição e dos meninos maus. Lá tudo seria um risco, inclusive nós. Reviver infâncias, rever fotografias são para os saudosistas e não para nós. Temos planos e planos. Cada um em sua cidade ideal, tentando fazer sua glória, seu caminho. Mas eu moro aqui, onde o trem passa e eu não vejo, onde o pão-de-queijo é só de padaria, onde não tem desconfiança que não seja nata e não há insegurança que não seja plena. No seu mundo metrópole, cada cara no mano a mano faz um trampo pra viver. E uma distância de tempos, destinos e vidas faz com que eu more aqui e não lá.

segunda-feira, 30 de março de 2009

The truth is a lie (?)!

"So, you want to play truth or dare with a guy like me."
Minor Majority
Uma epígrafe como esta incita a curiosidade feminina e desmarcara uma cruel realidade: a de que a verdade pura, aliás, a verdade, qualquer que seja ela, como seja, ou melhor, como não seja, simplesmente não existe. Há apenas pessoas que provocam as outras com a promessa do pote de ouro e o soro da verdade.

terça-feira, 17 de março de 2009

Monografando


Agora a minha vida é falar sobre monografia. Em casa, no namoro, com a família, no bar com os amigos...enfim tornei-me a típica menina chata que só fala em monografia. Outro dia, estava em uma orientação metodológica quando decidi comer alguma coisa. Daí fui até dois amigos, a C. e o W. e emendei uma conversa que para minha surpresa e conforto me fez perceber que não sou a única que só penso em mono, ou melhor, descobri que eu ainda tenho hábitos de pessoas normais. (UFA!)

Eu.:- E aí gente, só eu que estou perdida ou vocês também estão com essa coisa de TCC?
C.: - Nossa a cada orientação, estou mais desorientada!
W.: - Tá foda! Essa coisa de justificativa, hipótese...(argh!)
Eu.: - Não, o pior é que sinto muita falta de leitura mesmo, sabe? Gente, num tem jeito de escrever sem ter uma boa base teórica, mas aí que tá. Quando vou ler? Dentro do ônibus não dá pra concentrar direito...
W.: - É verdade. E a gente sente assim uma necessidade de se alimentar de...

(interrompendo meu amigo W.)

Eu.: - Nossa, não é?!!! Vamô lanchar, então?
W. e C. caem no riso, enquanto eu fico sem entender.
(?)
W.: - Não, Ana. Tô falando de alimentar a mente, o intelecto.
Eu.: - Ahhh...desculpa, gente uai...é porque eu tô com fome! Vou ali comprar um pão de queijo e já volto.



É claro que não voltei, me senti a pessoa mais fominha do mundo...heheh! Mas que foi engraçado, foi. Pelo menos na hora (como diria aquela comunidade do Orkut). E fez com que eu percebesse o meu grau de normalidade ( e de lerdeza também).


sexta-feira, 6 de março de 2009

Pelos rascunhos

Eu te liguei ontem, mas a música estava muito alta no meu quarto e o pessoal não quis calar a boca. Pensei que você ficaria puta comigo e nem me mandasse aquela mensagem. Que bom! Que bom você não ser tão previsível como todos os outros. Bom também foi ouvir você irritada por não entender nada do que eu falava e gritar que ia desligar na minha cara. No fim da noite o pessoal foi embora, afinal quinta-feira não era dia de ninguém querer morrer de beber na casa dos outros. Tá certo, eram meus amigos e eu adoro recebê-los...
Mas talvez se você tivesse aparecido eu nem teria notado que dia era, em que mês estávamos ou se ainda tinha comida. Você me cobraria a cerveja gelada e eu te deixaria sozinha apenas para buscar outra. Ainda que a casa estivesse cheia, iria num pulo da varanda à cozinha para não deixar que um qualquer emendasse uma resenha contigo. Não seria ciúmes, só cuidado, carinho. Ok, ok. Você tem outras pessoas...mas e daí? Eu também tenho e quero estar sempre do seu lado pra que nenhum se meta com você (o trocadilho é por sua conta). O que eu não consegui fazer foi não sentir sua falta a cada lúdica música ou mesmo as francesas. Ou de fazermos mil textos rascunhados no banheiro e rir, rir, rir muito daquilo tudo. Descer as escadas com pressa, com medo, com vontade de parar e continuar nos olhando pra entender o porquê das coisas. Mas o que interessa é que hoje chegou e que vou poder te ver mais e mais. Rir dos seus acessórios, conversar sobre peculiaridades nossas e ser, novamente, só eu e você.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Entre as (des)cobertas



De repente você descobre que corpus não é apenas o nome de um iogurte e que é bom olhar a altura da água no bebedouro, evita constrangimentos. Na verdade, se fizermos valer o nosso dia aprenderemos em todos eles. Descobri, por exemplo, que estou cansada dos mesmos textos de sempre, das temáticas que sempre voltam, da postura assumida pela mídia...dos post's do Twitter e das falácias das pessoas. Cansei das calças jeans que apertam minhas coxas e sufocam meu corpo. Quero diversos vestidos para deixar-me incoberta, mesmo que pela metade, e aliviar o calor. Quero descobrir-me e descobrir as coisas acobertadas. Quero botar a boca no mundo, com livros e ideias e muita vontade. Ação também, é claro. Que fique claro que meu cansaço, não é de entrega, apenas de desabafo.