
Hoje eu te vi, dormindo e sem boné. Quase não acreditei, ah é, era um sonho. Você ali largado num sofá, tão belo. Aquele seu jeito de moleque largado, tranquilo. Não me contive, num lance me joguei aos seus pés (e pernas) e acordei-o. Assustado, olhou-me, porém, com afeto. E eu, eufórica, atrapalhei aquele momento de olhares e atropelei-o com explicações. Inúmeras, vãs, mas que pra mim faziam todo sentido e seriam motivo de uma longa briga, em que você me cobraria mil coisas. Você me conhece...
Me puxou para cima do seu sofá, não disse absolutamente nada e me abraçou com seus braços e sorrisos. Não consegui me desvencilhar de seu toque, aquele cheiro de quem dormia a tarde inteira, do afagos plenos, dos deslizes que nos divertiam sempre.
Precisei conter meu envolvimento, você já espera por isso, e não me esperou nem me levantar...já estava longe, na sua cidade conturbada, no metrô, nas avenidas. Quando despertei olhei pela janela e vi as montanhas ali, paradas como sempre. Me protegendo, como sempre.





